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Um monge beneditino bracarense, D. António Coelho, afirmou em 1926, nas origens do chamado Movimento Litúrgico em Portugal: «A Liturgia é a vida da Igreja», ou melhor, «a Liturgia da Igreja é a música – prelúdio da sinfonia da glória; é poesia. E que sublime e variada poesia! (...) «A Liturgia é o cantar da Igreja. Sacudida pelo Sopro inspirador de Deus, a Igreja estremece, vibra, solta, envoltas em fórmulas e gestos que impressionam os sentidos exteriores do homem, as vozes interiores do Espírito».
Recentemente o Papa Leão XIV testemunhou: «Bem sabemos que a formação litúrgica é um dos temas centrais de todo o percurso conciliar e pós-conciliar. Foram dados muitos passos em frente, mas ainda há um longo caminho a percorrer. Não nos cansemos: retomemos com entusiasmo as boas iniciativas que a reforma suscitou e, ao mesmo tempo, procuremos novos caminhos e novos métodos» . A formação para a Liturgia e a formação pela Liturgia de hoje é lugar do encontro com Jesus Cristo e, simultaneamente, lugar de missão.
Por isso, a «formação para a liturgia, com efeito, não se reduz a ensinar como se celebra, mas sobretudo a compreender a teologia da celebração, o que se celebra, o porquê e o para que se celebra na Liturgia. Educar liturgicamente é uma iniciação às orações e às atitudes fundamentais da celebração, isto é, à linguagem e ao simbolismo do louvor, da escuta, da ritualidade, do canto e do silêncio» .
O Documento final “Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão” (n. 27) apela: «O aprofundamento da ligação entre liturgia e sinodalidade ajudará todas as comunidades cristãs, na pluriformidade das suas culturas e tradições, a adotar estilos celebrativos que manifestem o rosto de uma Igreja sinodal».
Gostaria de convidar as comunidades paroquiais a descobrirem a beleza da Liturgia das Horas, por exemplo nas riquezas da piedade popular dos tríduos e das novenas de preparação paras as festas da Virgem Santa Maria e dos santos, tão peculiares na nossa Arquidiocese.
Na Sé Primaz, além do Tríduo Pascal, rezam-se as Vésperas II ao Domingo, como sinal da Ecclesia Orans que é a Igreja Arquidiocesana. Celebrar com arte e com alma é o primeiro discernimento da criatividade. A Igreja diz-se a si mesma no bem celebrar a Liturgia.
Sé Primaz, 2 de abril de 2026,
Missa Crismal e Missa Vespertina da Ceia do Senhor.