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Talvez surpreenda que este monge solitário, habitante das cordilheiras do Curdistão, acabe por ser mais contemporâneo nosso do que muitos mestres atuais de espiritualidade. E não por causa do seu exotismo, mas por ter compreendido que a genuína vida cristã tem de ser, ao mesmo tempo, verdadeiramente humana e realisticamente divina.
Como acontece com outros grandes mestres espirituais do seu tempo — baste citar Isaque de Nínive ou Yauseph Hazzaya —, a chave da sua perenidade reside no facto de ligar os anseios daqueles que procuram a misericórdia de Deus após terem vislumbrado os abismos das suas próprias debilidades e pecados. Só então faz sentido o seu convite apaixonado a esperar, com inabalável paciência, que se abram as portas do coração para permitir que nele entre a beleza de Deus manifestada no Rosto de Cristo.
Tomou o hábito monástico perto das montanhas do Qardu (na atual Turquia), no mosteiro de Mar Yozadaq, e realizou o seu noviciado por volta do ano 700. A maior parte da sua vida eremítica decorreu nas elevadas montanhas de Bet Dalyata, onde compôs as suas Cartas e Homilias. Já idoso, regressou à sua terra, onde passou os seus últimos anos no mosteiro de um certo monge Jacobo, rodeado de discípulos.